Cordel do Fogo Encantado, Tumaraca e Ubuntu emocionam Marco Zero


Foram dias e muitas horas de dedicação. E a recompensa veio tanto para as centenas de pessoas que participaram dos ensaios como para quem se deslocou até o Bairro do Recife, nesta quinta (28), para acompanhar os espetáculos de celebração à ancestralidade africana. O Ubuntu – Uma Consagração ao Povo Negro e o Tumaraca – Encontro de Nações – com a participação histórica do Cordel do Fogo Encantado – mostraram a força e a beleza da cultura negra. As celebrações começaram cedo. Às 7h, representantes de 24 afoxés se reuniram no Pátio de São Pedro onde babalorixás e ialorixás prepararam o Amaci/ Omi Eró (Banho com Ervas). Perto do fim da tarde, os grupos saíram em cortejo da altura da Mariz e Barros. Na chegada ao Marco Zero, a porção feita mais cedo foi usada para lavar o local, numa cerimônia marcada pela emoção e reverência. Veja fotos clicando aqui. Ao som do ijexá, os integrantes dos afoxés tomaram conta do chão e do palco do Marco Zero. As cores das vestimentas e estandartes se integravam aos efeitos dos modernos telões armados no principal polo de shows do Carnaval do Recife e aos primeiros movimentos de despedida do sol – que se refletiam num bonito espetáculo no céu. “O afoxé quer dizer ‘dança de rua’. Isso é a nossa força, é o nosso axé. A nossa fé é milenar. Não somos escravos, porque isso não é descendência, é submissão. Somos descendentes sim, de africanos. Axé!”, saudou Pai Ivo de Xambá. Em seguida, clarins anunciaram a chegada das 12 nações de maracatu de baque virado e seus 700 batuqueiros. O conjunto formado por mestres de cada nação cuidava da regência dos tambores e do andamento da execução, enquanto o coral feminino negro Voz Nagô ecoava suas vibrantes melodias pelo Bairro do Recife. O grupo acompanhou o saudoso Naná Vasconcelos durante anos, quando o mestre comandava o espetáculo que ele mesmo concebeu. O jovens da Orquestra Criança Cidadã marcaram presença com interpretações para “Asa branca”, “Trenzinho caipira”, Bolero de Ravel” a “Praiera”. Esta música de Chico Science & Nação Zumbi serviu como introdução de um pot-pourri que incluia “A cidade”, também de CSNZ, além de “Maracatu atômico” – composição de Jorge Mautner. Ao potente som das alfaias foram somados gritos e aplausos entusiasmados. Era hora da participação do Cordel do Fogo Encantado. Lirinha, Nego Henrique, Emerson Calado, Rafa Almeida e Clayton Barros se integraram ao Voz Nagô e aos batuqueiros das 12 nações e com elas e eles tocaram “Preta”, “Boi Luzeiro”, “Chover” e “Pedrinha”. O público cantou com força as quatro canções e se contagiou com a emoção e a força que emanava do palco. O mestre Naná ficaria feliz em ver a continuidade do que ele iniciou.